A renovação da indústria brasileira, por Mario Bernardini

As deficiências sistêmicas do país, medidas apenas parcialmente pelo “Custo Brasil”, fazem com que produzir aqui seja mais caro do que na grande maioria dos países que são nossos concorrentes. Por outro lado, nossa moeda, ainda valorizada por uma taxa de câmbio fora do ponto de equilíbrio, favorece a importação e desestimula as exportações tornando cada vez mais difícil a competição da indústria brasileira, tanto nos mercados externos, quanto no interno.
Esta falta de competitividade, que o país impõe à produção nacional, desestimula os investimentos produtivos e é a principal causa da baixa formação de capital fixo brasileiro, que mede a relação entre investimentos e o PIB, e que, nas últimas décadas, manteve-se sistematicamente abaixo da média da América Latina em cerca de dois pontos percentuais e abaixo da média mundial em mais de quatro pontos, na relação investimentos sobre o PIB.
Este baixo nível dos investimentos produtivos faz com que nosso estoque de máquinas e equipamentos não aumente adequadamente e não seja renovado como deveria, o que implica em um envelhecimento progressivo de nosso parque industrial cujos equipamentos tem uma idade média superior a dezesseis anos, praticamente o dobro da dos países desenvolvidos ou em forte desenvolvimento.
O resultado é uma conjunção de baixo crescimento econômico, como de fato o Brasil vem apresentando nos últimos anos, com uma perda progressiva de competitividade da indústria brasileira. Pelas razões expostas, a indústria não tem reagido a estímulos pontuais, o que acaba se refletindo em desindustrialização precoce, confirmada pela perda de peso da manufatura no PIB, pelos resultados da balança comercial e pelo crescente déficit em conta corrente.
No próximo ano, o novo governo, seja ele quem for, irá necessariamente promover ajustes em diversas áreas, como na política fiscal, nas concessões públicas e nas reformas sempre anunciadas e sempre adiadas, para baixar a inflação e tentar retomar o crescimento. Este crescimento, entretanto, somente irá ocorrer se, além disto, o novo governo atacar o “Custo Brasil”, para reduzi-lo de forma contínua e sistemática, e se ajustar progressivamente a taxa de câmbio para um nível que permita à indústria competir.
Neste cenário, um “Programa de Modernização do Parque Industrial – MODERMAQ”, será indispensável para incentivar a substituição de máquinas antigas por novas com duas consequências importantes para o país: haverá um forte aumento do estoque de capital fixo pela troca de equipamentos sem valore residual por bens com valores atualizados, bem como um sensível crescimento de produtividade e de inovação em função da introdução de novas tecnologias associadas aos novos bens de capital.
Os principais benefícios do MODERMAQ serão obviamente um maior crescimento sustentado do PIB e um aumento da competitividade da indústria brasileira como um todo. Há, porém, ainda alguns efeitos colaterais dignos de nota neste momento em que o Brasil convive com algumas ameaças, presentes e futuras, a seu fornecimento de energia elétrica por causa da escassez de chuva, principalmente no sudeste.
Levando em conta que a indústria responde por cerca de 40% do consumo total de eletricidade no país, a substituição de cerca de um terço de seu parque de máquinas por equipamentos novos mais produtivos e com maior eficiência energética, vai permitir, além de reduzir custos de produção e diminuir a emissão de gases estufa, fazer uma sensível economia de eletricidade, nos dando tempo para diminuir nossa excessiva dependência dos humores de fatores climáticos na geração de eletricidade.
Mario Bernardini 
 
Departamento de Competitividade, Economia e Estatística ABIMAQ – Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos. 
Fonte: WEG em Revista, Portal ABIFER
*** Texto retirado de Abimaq
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